sábado, 18 de outubro de 2014

Máscaras


Havia um palhaço de máscaras. Tinha também uma plateia e eu. O palhaço fazia graças, encantava o público e me distraía. A cada frase, um novo trejeito, como também um novo disfarce.
Lembro-me da máscara da delicadeza, da humildade e o glamour que costumava cercear tantas outras. Ah, por três eu tinha mais apreço: cultura, talento e criatividade! O preço? Você vai descobrir aos poucos.

Comecei a seguir o palhaço, assistir suas graças, frequentar o circo diariamente só para me surpreender com suas máscaras. Não demorou muito para que entendesse um pouco de suas estratégias, para que eu notasse o método de suas apresentações. E de repente me veio à cabeça, aquela dúvida do porquê o palhaço querer se esconder. Por que tanta firula, pra fazer o mais simples: o povo sorrir.
Às vezes, ele carregava a face com tantas caricaturas que ficava difícil distinguir o que partia dele e o que era só adereço... Parecia errado, ter tanto peso no rosto por atenção. E a cada noite que eu visitava o circo, eu sentia falta de uma performance diferente. Eu queria um riso que não exigisse treinamento, nem esconderijo.
Então um dia tive a audácia de pedir ao palhaço o improviso. Ele revirou os olhos com a minha sugestão e por trás da sua máscara mais assustadora, disse-me que eu não merecia assistir suas apresentações. Mas eu não me dei por satisfeita e no calar da noite, me escondi. Esperei que o show acabasse e por trás da lona, aguardei o momento certo para mostrar-lhe minha defesa. Só que antes mesmo de entrar, uma perspectiva me deixou imóvel: ver o rosto do palhaço.
Me estarreci ao ver que sua pele era muito delicada e jovem. Como uma estrutura tão gasta poderia ter feições de criança?! Foi aí que me ocorreu, quão grande era a carência daquele moço. Ele tinha muita contradição dentro de si, para lidar sozinho. O mundo não entenderia. O mundo precisava se surpreender. Por isso as máscaras, concluí satisfeita!
O tempo passou, o show continuou e eu pude voltar à plateia. Eu era público e o palhaço não poderia me perder à toa. Mas com o tempo, eu voltei a achar tudo aquilo exagerado. O palhaço não iria conseguir se esconder pra sempre... sua tática estava ficando ultrapassada. Virei sua inimiga secreta.

Ele viu nos meus olhos que eu percebi tudo. Me pôs de lado. Eu virei a palhaça. A plateia cresceu. Havia só máscara. A vida é o show.

2 comentários:

  1. Oi hudaasafd Cê apareceu lá no meu blog e vim ver o seu... e eu tô gostando muito!! Também me identifiquei com coisas aqui njdfsnjsf Com certeza voltarei a acessar, salvo nos favoritos ;)

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  2. Que boomm,fico feliz em saber :D volte siim! HSUSHAUAHSUAHSUA.

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