domingo, 2 de abril de 2017

Who cares, anyway?


Ser bem articulado, ter boa armadura e maturidade não é sinônimo de vida tranquila. Tem resposta que a gente guarda num cantinho inóspito de nós mesmos e no desespero, a gente vai deixando as preocupações turvarem a visão, tanto que alguém precisa pegar a lanterna e apontar pra a gente a solução.
Decerto, a clareza não vem pra todos. Mas até o mais atento dos homens pode sofrer por dispersão. No fim do dia, todo mundo se precisa um pouco. Empatia é o que falta, dizem no sermão.

“Você sabe cuidar tão bem de si, que a sua dor pode ficar pra outra hora. Afinal, você vai saber resolver. Você sempre resolve o problema dos outros tão bem!” Dos outros. Talvez você seja só um vigia com uma boa lanterna, but who cares anyway?
Vivo moldada pelas caixas perfeitas alheias. Vira e mexe eu teimo e decepciono o projeto que criam de mim. Eu não quero a paz dos outros, se eu não tenho a minha. A minha essência é tudo que tenho pra sobreviver. Desculpe, mas a diplomacia de nada me serve se for pra eu pisar no que quero ser. Eu tenho projetos, viu? E talvez não seja bem o que você está pensando. Não vou exitar em fazer, o que acho que fui colocada aqui pra fazer.
Na minha liberdade ninguém tasca. Não me invada achando que vou sorrir por pura convenção social. Eu vim no tom e na cor do escárnio. Do massacre quilombola ao discursar de Mandela. Não vou sentar, não! Nem aceitar.
Eu faço careta pra me estabelecer, mas tenho minhas fragilidades. Você achar que a minha carne é dura e por isso não sangra, é puro comodismo. Eu grito, porque arde. Eu choro em silêncio também, porque não quero ser covarde. Eu não vou esquecer. Eu não sou tão sagrada quanto queria. A sua indiferença já deixou marca, daquelas que tenho que remediar no fim do dia.
Me olha de longe mesmo. Vai deixando eu me virar. É assim que eu percebo, quem tá comigo e quem não tá.

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